Organização em ciclos respeita as diferenças
A progressão continuada ainda é confundida com aprovação automática. Saiba por que esse mal-entendido causa tantos danos
Verônica Fraidenraich (novaescola@fvc.org.br)
Tempo maior para que todos atinjam as expectativas de aprendizagem
O princípio da progressão continuada é justamente garantir a todos o direito de aprender. Ele reconhece que as crianças passam por ciclos de desenvolvimento - como ensinou o psicólogo suíço Jean Piaget (1896-1980) e que as aprendizagens ocorrem dentro desses ciclos. Mas cada criança tem um ritmo e uma maneira de aprender, que devem ser respeitados. Por isso, em vez de uma organização curricular dividida por séries, anual, a progressão prevê a possibilidade de ciclos de dois, três ou quatro anos e elimina a retenção dentro desse período, por acreditar que, com um tempo maior disponível, todos podem atingir as expectativas de aprendizagem.
Dessa forma, se uma rede organiza o Ensino Fundamental em dois ciclos - sendo o primeiro do 1º ao 5º ano e o segundo do 6º ao 9º -, o aluno só pode ser retido ao fim de cada uma dessas etapas, caso não tenha alcançado os objetivos definidos para o período. "O sistema foi adotado por algumas redes públicas brasileiras na década de 1960, como uma alternativa para diminuir os altos índices de evasão escolar e repetência", explica a pesquisadora Márcia Aparecida Jacomini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Contudo, o maior ganho não está nos números, mas no impacto sobre o desenvolvimento da criança. A reprovação, tida no sistema seriado como uma "nova chance de aprendizagem", transformou-se, no decorrer dos anos, num instrumento de exclusão de boa parte das crianças e dos adolescentes da escola: a repetência é uma das grandes causas do abandono e da evasão escolar. E o Brasil é um dos países que mais reprovam (veja o gráfico acima).
Além disso, os que não desistem passam a frequentar turmas com colegas mais novos - o que é um desestímulo e leva a novas repetências. A defasagem idade/série no Brasil (uma das consequências da retenção) chega a 60% nos 9º anos, segundo dados de 2006 da Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (Unesco).
Por isso, os autores da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, e dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental (PCNs) consideraram a possibilidade de a escola organizar seu tempo por ciclos. Estima-se que metade das redes públicas siga tal proposta, entre elas as municipais de Belém, Belo Horizonte, Blumenau, Fortaleza e São Paulo, mais o Distrito Federal. Inglaterra, Japão, Coreia, Finlândia e Suécia são alguns dos países que também seguem
esse modelo.

O Brasil é o país que mais reprovaCompare os índices de reprovação do Brasil e de outras regiões e países.Fonte: UNESCO
Dessa forma, se uma rede organiza o Ensino Fundamental em dois ciclos - sendo o primeiro do 1º ao 5º ano e o segundo do 6º ao 9º -, o aluno só pode ser retido ao fim de cada uma dessas etapas, caso não tenha alcançado os objetivos definidos para o período. "O sistema foi adotado por algumas redes públicas brasileiras na década de 1960, como uma alternativa para diminuir os altos índices de evasão escolar e repetência", explica a pesquisadora Márcia Aparecida Jacomini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Contudo, o maior ganho não está nos números, mas no impacto sobre o desenvolvimento da criança. A reprovação, tida no sistema seriado como uma "nova chance de aprendizagem", transformou-se, no decorrer dos anos, num instrumento de exclusão de boa parte das crianças e dos adolescentes da escola: a repetência é uma das grandes causas do abandono e da evasão escolar. E o Brasil é um dos países que mais reprovam (veja o gráfico acima).
Além disso, os que não desistem passam a frequentar turmas com colegas mais novos - o que é um desestímulo e leva a novas repetências. A defasagem idade/série no Brasil (uma das consequências da retenção) chega a 60% nos 9º anos, segundo dados de 2006 da Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (Unesco).
Por isso, os autores da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 1996, e dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental (PCNs) consideraram a possibilidade de a escola organizar seu tempo por ciclos. Estima-se que metade das redes públicas siga tal proposta, entre elas as municipais de Belém, Belo Horizonte, Blumenau, Fortaleza e São Paulo, mais o Distrito Federal. Inglaterra, Japão, Coreia, Finlândia e Suécia são alguns dos países que também seguem
esse modelo.

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